sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A eterna promessa

Os governantes brasileiros sempre adoraram enganar a população em relação ao combustível do futuro. Parecia que, até ano passado, o ciclo de anúncios energéticos mirabolantes havia acabado e que, realmente, o etanol, algo genuinamente tupiniquim, seria o grande investimento do país.
Depois de décadas importando o petróleo - anos 50 – inventamos o bendito etanol. Durante a década de 70, início dos anos 80, planos como o pró-álcool alavancaram a indústria automobilística. O preço do combustível era baixo, a sensação de economia era tamanha e o sonho de ter um país livre do “ouro negro” era real. Ou, pelo menos, quase.
Mas, em se tratando de Brasil, não demorou muito para vermos que todo papo de independência energética era falso. O preço do petróleo baixou e com isso o uso da gasolina passou a ser mais vantajoso que o do combustível “made in Brazil”. “O consumo específico dos veículos também baixou” (pag. 27, Martin, Jean-Marie) e nós, que não somos bobos, abrimos nosso país para carros importados, todos movidos pelo combustível fóssil. Resultado: abandono do álcool para voltar à gasolina.
Não contentes em reutilizar fortemente a gasolina, passamos a investir em outra energia do futuro: o gás natural (derivado do petróleo). Começamos a importar a nova fonte. Contratos milionários foram feitos, dutos foram construídos e postos passaram a contar com uma bomba de gás. Carros eram convertidos nas esquinas e todos adoravam rodar centenas de quilômetros gastando pouco.
Porém, mais uma vez o cidadão foi traído. O preço subiu, os acordos internacionais, mal feitos, foram repassados para a população e o ciclo do gás natural definhou. Poucos carros rodam atualmente com esta fonte, e as indústrias, que foram obrigadas através de incentivos fiscais a mudarem toda a sua estrutura, pagam o preço pela falta de planejamento. Enterrada mais uma salvação, a gasolina ganhou novamente o status de “eterna” e voltou a figurar entre as ruas brasileiras.
O início de 2000 contou com o ressurgimento do álcool. Considerado por Ignacy Sachs como um passo à frente, os carros flex não impunham, aparentemente, o combustível ideal. Movidos a gasolina e a álcool, a nova tecnologia passou a dominar o mercado. Com a grande produção de cana de açúcar, a idéia da economia voltou a dominar os compradores. Mas esta maravilha moderna não foi tão econômica. Um bi-combustível chegou a custar cinco mil reais a mais que o mono. Resultado: a diferença era tão grande que, para recuperar o valor gasto no carro, o consumidor teria que rodar muito gastando pouco.
O investimento em veículos Flex veio a calhar. A preocupação com o aquecimento global fez o brasileiro se orgulhar de ter uma alternativa energética. Não só o preço nas bombas era satisfatório. O eco-marketing criado também impulsionou a venda dos modelos nacionais.
O problema é que o governo não conseguirá manter o mercado aquecido. Enquanto os EUA planejam uma produção de 137,25 bilhões de litros de etanol em 2017, o Brasil estima chegar a 63, 9 bilhões de litros no mesmo ano (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA – EPE). Esta discrepância nos investimentos mostra qual país poderá substituir significativamente o uso dos combustíveis fósseis no futuro.
Alheio a isso, neste ano, 2009, o governo brasileiro anunciou uma nova descoberta de petróleo. Para Lula, esta será a grande salvação do país. Mais uma vez as plantações de cana, milho e mamonas serão esquecidas. As energias “renováveis que constituem a biomassa, a energia natural dos ventos, das marés e dos rios, a geotermia e, principalmente, a iluminação solar” serão mais uma vez postas para escanteio. Como na década de 50, o combustível do futuro é o petróleo.
Hoje o Brasil possui tecnologia para perfurar poços submarinos a 5 km de profundidade. Quando há um problema com o equipamento, o tempo necessário para a solução pode chegar a três meses. São três meses sem produção. Quanto tempo demorará para arrumar algo há 11 quilômetros de profundidade, nas bacias de pré-sal? Qual será o custo desta exploração? Nada disso foi dito.
O Brasil já foi o país do futuro nas décadas de 70, 80, 90 e 2000. Parece que não aprendeu com o passado. Em 2009, mais um passo para trás. Enquanto todos buscam alternativas energéticas, nós buscamos petróleo. Começaremos, em breve, muito em breve, a importar cana de açúcar e etanol.
Por: Fernando carvalho Petroni
Bibliografia:
Sachs, Ignacy – A revolução energética do século XXI, 2006.
Martin, Jean-Marie, A economia mundial da energia
DORGADEM – Organização de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios - http://www.orgadem.org.br/noticias/1903200904.htm
EPE – Empresa de Pesquisa Energética - http://www.epe.gov.br/imprensa/PressReleases/20080924_1.pdf

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A produção de leite no vale do paraíba

O trabalho de campo foi realizado na cidade de Guaratinguetá, situada no Vale do Paraíba, uma tradicional bacia leiteira e a primeira do Estado de São Paulo até o início da década de 80. A região, que passou um diversas dificuldades, voltou a figurar entre os importantes pólos produtores de leite, algo que motivou o trabalho de campo da disciplina Geografia Agrária Aplicada.
O ressurgimento econômico aconteceu após um grande processo de modernização, da utilização de insumos, maquinário e de políticas voltadas para o setor, como o Programa Nacional de Melhoria na Qualidade do Leite (PNMQL).
Com base neste novo cenário econômico, visitamos três sítios na cidade. O primeiro visitado se mostra em um estágio intermediário de desenvolvimento, faz parte de uma cooperativa, mas ainda tem a retirada do leite de maneira manual, sem muita tecnologia. O segundo já conta com uma grande infra-estrutura e é assessorado pela Danone, enquanto o terceiro não pertence a nenhuma cooperativa e está atrasado em relação à região.
O primeiro sítio visitado pertence à Cristina. Ela é dona de quase 60 vacas leiteiras. Ex - professora, abandonou a cidade para morar na propriedade onde sua irmã mora.
Em sua terra “morroada” produz 500 litros de leite por dia. Toda a produção é recolhida pelos oito caminhões da cooperativa da região, a Maringá - Serra do Mar.
O sucesso visto hoje demorou a chegar. Cristina contou que começou do 0. Nada sabia sobre leite. Sem experiência na área e com poucos profissionais qualificados na região, custou a aprender, tanto que plantava um capim não recomendado.
A guinada só aconteceu com a ajuda de um agrônomo, pertencente à cooperativa, substituiu o pasto por cana e profissionalizou os trabalhadores. Com o auxílio deste agrônomo, as vacas menos rentáveis, como as Girs, começaram a ser substituídas gradativamente por Holandesas e Jerseys.
Para a dona da terra, mesmo com a produção em um bom estágio, muito ainda tem de ser feito, mesmo porque, o lucro é praticamente irrisório. Em meses de boa tiragem o superávit não passa dos R$ 3 mil. Nos outros meses, todo o dinheiro arrecadado volta para a terra como benfeitorias.
O segundo sítio visitado foi o de Vagner, produtor que entrou no ramo de leite após suas plantações não darem certo.
No início, Vagner e seu sócio, no caso seu irmão, contavam com apenas 10 vacas leiteiras. Hoje possuem um trator, avaliado em R$ 11 mil, 50 animais, aproximadamente, e um tanque de armazenamento. A produção beira os 700 litros/dia e é comprada pela Danone.
O produtor é assessorado por um agrônomo da Danone. Segundo ele, esta ajuda melhorou a qualidade de seu pasto, do milho e da cana, resultando em um leite de melhor qualidade e com um maior valor agregado. A assessoria também o fez dominar as técnicas de inseminação artificial, abrindo a possibilidade de melhorar seu rebanho.
A retirada do leite também foi requalificada. Anteriormente era feita sem instrumentos adequados, pondo em risco à qualidade do leite e a saúde do animal. Hoje toda a ordenha é feita por máquinas, diminuindo o manuseio das tetas.
Endossando o coro de Cristina, Vagner também reclama que todo o dinheiro que recebe volta para a terra, não ficando com uma parte significativa em suas mãos.
O último sítio visitado estava fechado. O proprietário não estava. Mas mesmo assim foi possível ver que ainda estava engatinhando em relação aos demais. Sem contar com o apoio de nenhum agrônomo, as vacas não usufruem de um pasto adequado, deixando a qualidade do leite duvidosa e inviabilizando a compra do produto por cooperativas da região. Geralmente vende a produção para os vizinhos e está longe de viver do leite.
A ajuda, a informação e a modernização fizeram com que a região do Vale do Paraíba voltasse a figurar no cenário nacional. O grande problema é saber como as pessoas viveriam caso as cooperativas, e mesmo a Danone, não comprassem mais o leite. Como toda a produção é escoada por estes dois meios, o produtor fica de mãos atadas, sem alternativa na hora da venda. Até o agrônomo é cedido pelos compradores. Vagner, por exemplo, não tem um contrato assinado com a Danone. A empresa não é obrigada a comprar toda a sua produção. Assim, sobram perguntas: Como viveriam os produtores caso as empresas e cooperativas não comprassem mais o leite? O que eles fariam com o dinheiro investido? A realidade é animadora, basta ver agora o futuro deste modo de produção.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Cultura Inútil

O ponto mais profundo da terra fica no oceano pacífico à sudoeste das Marianas. Chamada de Challerger, a fossa marítima atinge 11.033 metros de profundidade.

O ponto mais alto da terra é o Everest, que atinge 8.848 metros.

Com isso, a distância entre o ponto mais alto e o mais baixo do planeta chega a, aproximadamente, 20KM. Pouco, não?
-----------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Valorização e revitalização do Largo da Batata

A prefeitura da cidade de São Paulo em parceria com o Metrô propõe a valorização do Largo de Pinheiros, local mais conhecido como Largo da Batata. Esta valorização do espaço, segundo a prefeitura, busca “atrair de novo a população para usufruir de uma área tradicional, que nos últimos anos sofreu degradação”.
A proposta de revitalização gera uma série de perguntas: as pessoas que passam por lá todos os dias, não exercem o papel da “população”? Os proprietários de imóveis ou de comércios no local são culpados ou apenas vítimas desta degradação do espaço? Será que a “valorização” tem o aval dos proprietários, das pessoas que usufruem do espaço e principalmente daqueles que retiram seu sustento das mediações locais?
O Largo de Pinheiros já foi um importante centro de distribuição de produtos. O nome originou-se de um antigo galpão de batatas que era freqüentado por pessoas que vinham de longe e não moravam ali.
A historicidade do local contrapõe a idéia principal da revitalização, que, de acordo com os órgãos, deve ser atrair a população desta tradicional área. Se pensarmos assim, veremos que a população da área não foi alterada. Os trabalhadores, vendedores e viajantes continuam ocupando a região. Assim, o espaço manteve sua identidade. “Sempre foi um lugar de consumo e consumo de lugar.” (LEFEBVRE)
O Largo da Batata de hoje expõe a cultura de quem o habita de fato, “a ponto de interferir na interpretação da organização espacial humana como um produto social, passo primeiro e fundamental para se reconhecer a dialética sócio-espacial”(SOJA). Seus habitantes são camelôs,os donos de lojas populares e de produtos das mais diversas regiões do país, além das tradicionais barracas de comidas típicas em frente aos muitos pontos de ônibus.
Mas não se pode entender revitalização como algo único, a serviço da sociedade. Tem que se pensar também em um sentido mais amplo, capitalista. É é neste cenário que se soma a palavra valorização.
Valorização tem como significado o aumento do valor ou do preço de algo, em virtude de ter recebido aperfeiçoamento ou melhoria. Ou, segundo a prefeitura “uma região de convívio com potencial de investimentos imobiliários e empresariais”.
Esta valorização pode fazer com que a “realidade urbana perceptível, como ruas, praças, monumentos e espaços tradicionais para encontros, desapareçam” (LEFEBVRE). Os setores que ali se encontram não se encontrarão mais, determinando assim, o fim das relações hoje existentes.
Não há dúvidas que o local exige uma intervenção. A questão é como contemplar as diversas camadas da sociedade que vivem daquele espaço. Não se pode deixar de lado o “fator humano” em detrimento do “urbanismo dos promotores de vendas”. Não se deve intervir em um espaço sem conhecer o seu alcance, sua validez, seus limites e suas relações recíprocas. A integração sem a participação da sociedade não tem sentido, e sem ela, a desintegração continuará, sob a máscara e a nostalgia da integração.


BIBLIOGRAFIA

SOJA, E.W. Geografias Pós-Modernas – A reafirmação do espaço na teoria social crítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

LEFEBVRE, H. O direito à cidade. Editora Moraes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

A volta de quem ainda não voltou

Janeiro de 2008. Mês de minha decadência futebolística.
Foi em uma segunda-feira que perdi uma das minhas maiores alegrias na vida. O futebol.
Parece muito dramático falar isso, mas não é. Esta perda foi praticamente à mais triste de minha vida até agora. Já tive lesão em outro joelho(direito), mas mesmo com o longo tempo de inércia, o problema era menor. Este segundo golpe foi muito mais duro do que o anterior.
Passados 9 meses, muitos deles em fisioterapias, academias, sonhos e dores, eu voltei. Mas não voltei.
O joelho acusa cada golpe. Não é mais possível acompanhar o atacante. A bola está sempre longe. Toda hora um estalo é ouvido.
Meu segundo jogo na linha foi marcado pelo péssimo futebol. Passes ridículos, tempo de bola pífio e uma dor incessante na parte posterior do joelho.
Ainda é cedo para dizer que nunca mais jogarei futebol igual antigamente, mas cada dia que passa, e envelheço, o retorno apoteótico fica mais longe.
Só me resta torcer e pensar que tudo isso não passa de um problema temporário, apesar de muitas vezes pensar o contrário.

Por: Marty McFly

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Comunista

COMUNISTA: Escrevi isso ontem, dá uma olhada. Intitula-se «Contribuições à análise do fim da sociedade de classes».Você pode acreditar que meus colegas e parentes se negaram a subsidiar esse trabalho?

AMIGO DO COMUNISTA: Por que você precisa de subsídio?

COMUNISTA: Tá brincando? Meu trabalho deveria interessar a todos eles, de vez que somos todos vítimas da reificação do capital. Isso lhes diz respeito diretamente!

AMIGO DO COMUNISTA: E se eles não concordarem com a sua análise?

COMUNISTA: Não me surpreenderia! Eles não são mais que burgueses conformados! Não entendem que também sofrem sob o capitalismo! São ignorantes e ajudam a direita.

AMIGO DO COMUNISTA: Mas você aceitaria o dinheiro deles.

COMUNISTA: O que você quer que eu faça, sofra?


(Inspirado numa tira de Calvin & Hobbes)

Por: Fábio Lacerda

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eu sei que eu não sou!


Ser medíocre. Assumir tal estado deveria ser levado em consideração ou acreditar que você realmente decide alguma coisa é mais importante para a sua vida? Me pergunto isso, pois aqui, onde trabalho, há um CRETINA que se sente bem quando a chefe sai. Adora falar alto, mostrar que decide, levantar da cadeira esbaforida e reclamar a cada toque de telefone.
O teatro é importante na manutenção da carreira, coisa que nunca fiz e nem farei, mas para seres medíocres a intenção é válida.
Olho para a triste imbecil sentada a minha frente. Uma garotinha de 22 anos que adora retrucar minhas críticas, tanto no futebol quanto sobre a obrigatoriedade do diploma em PUBLICIDADE.
Se eu falo que o Rogério Ceni é um bosta, ela retruca e fala que o Corinthians não tem goleiro. Se falo que diploma serve só pra dar dinheiro para faculdades de publicidade, ela se defende dizendo que a faculdade é muito importante na formação das pessoas.
Esta frase me faz refletir sobre ela. A imbecil maldita. Que que ela aprendeu na faculdade? Seguir ordens pra alterar sites de filmes? A bolar promoções - Nas compras acima de 2000 reais ganhe um ingresso de cinema?
Sinceramente a cretinice humana é grande. E pior que a cretinice, sem dúvida, é a medíocridade. É o fato de não aceitar ser um mero lixo. É não aceitar ser um ser insignificante no mundo, ser apenas, mediana, medíocre.
Eu sou assim, sou um lixo no meio de muitos, mas aceito isso. Nunca me deslumbrei com a TV, achando que aquela merda fosse importante no mundo. O ceticismo me afasta dos sonhos, mas me faz encarar mais friamente o cotidiano e a dar valor para pequenos momentos na vida.
O problema é não aceitar ser babaca, é se enganar por toda a vida, achando que você é algo que você não é.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prazer, transeunte...


Andar. Aprendemos tal arte com poucos meses de vida. Com o passar do tempo, em nossa caótica cidade, vamos esquecendo como se faz e o que realmente significa. A ação repetida milhares de vezes por milhões de transeuntes (entenda transeunte por seu significado mais usual) vem se tornando cada vez mais difícil, não só pelas distâncias a serem percorridas, mas pelos outros que não fazem questão de valorizá-la.
Andar por míseros quilômetros em uma das regiões mais ricas de São Paulo é uma tarefa para heróis, fenômenos. A dura missão possui diversos agravantes, que vão desde motoristas em carros possantes, Vidas Lokas em motos, calçadas, ou melhor, a falta destas criaturas insignificantes, e o que mais preocupa o mundo das grandes vias, as pessoas.
Não é fácil ser rico, ter seu Audi e trabalhar em grandes salas em monstruosos empreendimentos. A falta de tempo e o bendito stress não os deixam pensar no mundo para fora de seus vidros. Aliás, para fora de seus vidros só se encontram concorrentes. Animais que querem roubar seu lugar perto da faixa. A convivência com outros seres no infernal tráfego diário o deixa mais puto ainda.
No meio da guerra entre o ser condutor e seu veículo, estão bípedes que ainda recordam, e por mais incrível que possa parecer, ainda se utilizam do andar. Pobres seres.
A capital paulista não é capaz de fazer um parque com um banco. E se algum local para se sentar é construído, não há caminho para que se chegue até ele. Só a grama o leva até seu almejado destino. As calçadas dos grandes prédios são esburacadas, apesar de seus vidros serem limpos todos os dias.
Saindo dos restos de concreto que recebem o nome de calçada, as ruas não possuem sinalização adequada para pedestres. Aliado a isso está a péssima vontade de cooperação. Motos fazem questão de acelerar ao ver uma senhora atravessando num farol verde. Claro que a senhorinha não deveria se arriscar numa rua central da maior cidade brasileira, mas será que a reação teria que ser esta? Não haveria um modo de ser mais humano, ou pelo menos tentar aceitar o fato de que a senhora sai de casa e não sabe se conseguirá chegar ilesa de umas compras?
Os nossos atos estão totalmente atrelados à educação. E pelo que se vê, a bendita está cada vez mais esquecida. Para os andantes, o fim está próximo. Tirem fotos, gravem vídeos para os filhos e netos. A partir de hoje seremos transeuntes* de uma cidade movida à gasolina.

* Que passa; que não permanece; PASSAGEIRO; TRANSITÓRIO.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

The Lucky Old Sun




The Lucky Old Sun é uma música de 1949 composta por Beasley Smith. Aqui me refiro a versão de Dr. Yusef Lateef (William Emanuel Huddleston).

É daqueles sons em que o nome casa com a melodia! Coisa hoje em dia muito ultrapassada.

Méritos para Lateef, que mesmo sendo apenas mais um artista na grande história da música, soube como ninguém o significado de seu nome!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Tandis que le soleil ne vient pas*




1) Adoro o chapéu de Debbie Reynolds (Kathy Selden). Aliás, me apaixonei por ela.

2) Tandis que le soleil ne vient pas... je dansé à la pluie!!!

3) Até para jogar água tem que ter talento.

4) Se Gene Kelly estava com febre ao fazer esta cena, imagina como ela ficaria com ele bom...

5) Segundo minha família, a cena toda foi premeditada, mas sinceramente, eu acredito muito mais em transpiração que ensaio. Apesar de ter que concordar que ele é ator, e dos bons, ainda acredito que foi um momento de extrema emoção, mesmo porque, nunca mais alguém fez algo tão memorável como este momento.

6) Ahh se Kathy Selden me deixasse todos os dias chuvosos em casa... Certamente estaria com pneumonia!

7) Enfim, enquanto o sol não vem...*

terça-feira, 9 de junho de 2009

A infelicidade e o dinheiro

A infelicidade está atrelada ao dinheiro. Ainda mais quando se fica velho e passa a ocupar cargos importantes na vida!
A partir deste momento você não tem mais opinião própria. Precisa seguir padrões que lhe impõe, concordando com eles ou não.

Se teu chefe for um mau elemento e te fode, você até pode pedir as contas e dizer que vai abandonar tudo. Mas certamente abandonará "tudo" por um fim de semana.

Imagine que seu chefe o chame de traíra, coisa que aparentemente vc não é. Você pensa - vo embora e agora é pra valer, não voltarei atrás como nas outras 15 vezes. No fim de semana vc age como um garoto que acabou com a namorada. Fica orgulhoso de seu ato, se acha um cara livre, decidido! Pensa que suas decisões são as melhores do mundo, e principalmente, que vc é macho pra caralho!

- para que um emprego que não me trata tem? Vo trabalhar sozinho, ser meu chefe! Aliás, lá naquela merda iria morrer do coração, não tinha mais clima e meu chefe era um filho da puta!

Na segunda faz uma carta de demissão, mas se nega a entrega-la pessoalmente! Sabe que se fizer isso irá voltar atrás! Diz que deixará na portaria e q nunca mais voltará para aquele ambiente maldito.

De tarde, após o chefe te ligar, vc aceita tomar um café e de noite, novamente com o carro, celular, mochila e note em mãos volta para casa, dizendo que o FGTS que o blá blá blá é foda!

Isso só ressalta uma verdade: O dinheiro e a qualidade de vida te matam! Uma vez escravo sempre escravo!

(Apesar de ser um crítica é mto mais uma constatação)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A não existência do Lugar

Artigo sobre Paranapiacaba baseado no texto Não-Lugar de Marc Augê

Construída para abrigar os trabalhadores da estrada de ferro São Paulo Railway em 1867, que liga São Paulo ao litoral do estado, a Vila de Paranapiacaba é hoje um centro turístico, um local onde o antigo, ou o histórico, ainda pode ser encontrado e comercializado.
Caracterizada pelas suas construções antigas que mesclam origens inglesas e brasileiras, as casas foram construídas com as sobras dos metais utilizados nos vagões, e por isso, geralmente, possuem um tom avermelhado, semelhante aos vagões daquela época.
A cidade em si é antiga, velha, respira ainda um ar do passado, mas será que ela pode, e deve, ser considerada um lugar? As residências antigas, a igreja, o cemitério, as ruas sem calçamento, tudo isso nos remete ao passado, consequentemente, a um lugar, não?
A descrição simples e romântica nos remete à vila do passado, e em um primeiro momento, aquela transpiração nos consome. Não vemos carros, hotéis e nem produtos industrializados. Mas, é claro, sabemos que não esta romanticidade não é verdadeira. Apesar das antigas linhas de transmissão e da antiga fonte de abastecimento do vilarejo, é óbvio que para gerir aquele espaço são necessários novos fios, novas redes de esgoto e de água, além do acesso a automóveis. “Os não-lugares, contudo, são a medida da época: medida qualificável e que se poderia tomar somando, mediante, algumas conversões entre superfície, volume e distância, as vias férreas, ferroviárias, rodoviárias e os móveis considerados meios de transporte (aviões, trens, ônibus)”. (Augé, Marc, Não-Lugares, pag.74)
Analisando desta maneira fica claro que Paranapiacaba não é um lugar. Aliás, ela não é um lugar há muito tempo. O tempo, as mudanças, as pessoas, o mundo, todos os fatores a definiram como um não-lugar. Como disse Michel de Certeau “o não-lugar é uma ausência do lugar em si mesmo”, e não é verdade?
Paranapiacaba é ligada apenas por uma estrada asfaltada. Mas como antigamente, em sua fundação, não havia nenhuma, algo naquele espaço já foi alterado. Outro modo de chegar lá é por trem. Pode-se sair de São Paulo, da Luz, andar aproximadamente uma hora e pronto, Bem Vindos a Paranapiacaba. Estes novos meios de transporte facilitam a chegada e a saída do local, tornando-o assim, um local descaracterizado, ou apenas um não-lugar.

As facilidades para se chegar aumentaram, mas mesmo assim ela parou no tempo, não conseguiu conciliar o novo e o velho. A ferrovia do século XIX e seus trens são apenas enfeites e marionetes. Não exercem função alguma, a não ser míseros ingressos para um passeio. As antigas residências, mesmo que sem permissão para serem modificadas, já tiveram seu acabamento interno todo alterado, e pouco lembram as casas dos antigos operários.
Os moradores que ali residem se sustentam através do comércio e do turismo. A falta de emprego e de perspectiva faz a maioria fugir dali, os obriga a mudar para os grandes centros urbanos, deixando para trás toda a história de seus antepassados.
Esta movimentação é mais um fator que influencia na criação do não-lugar, que pode ser definido como “o espaço extraterrestre para uma comunicação tão estranha que muitas vezes só põe o indivíduo em contato com uma outra imagem de si mesmo”.( Augé, Marc, Não-Lugares, pag.75)
Paranapiacaba não sobreviverá ao predador chamado futuro. Por enquanto, a vila se sustenta em palavras, livros e principalmente nas histórias contadas pelos poucos “loucos” que lá residem. Certamente, com a chegada de um messias chamado desenvolvimento, o lugar dará seus últimos suspiros na UTI, abrindo assim as portas para uma fusão, um emaranhado de sentidos chamado não-lugar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Segregação social na cidade


Uma rápida pincelada sobre o tema. Baseado no texto Com novas medidas urbanas, mercado imobiliário reinará absoluto nas cidades, de Valéria Nader.


O assunto não é novo. Ainda mais em uma cidade grande e endinheirada como São Paulo. Desde o começo do século pessoas consideradas desqualificadas são jogadas às margens da sociedade.
Acostumados a serem mandados para conjuntos habitacionais mais longe dos centros, as pessoas sem renda sempre foram proibidas de viver no espaço “habitável” de uma metrópole. Seja por não conseguirem pagar o valor dos impostos dos terrenos ou por serem expulsos de suas casas através da especulação imobiliária, como cita Valéria Nader em seu artigo Com novas medidas urbanas, mercado imobiliário reinará absoluto nas cidades: “mais uma vez, algumas das populações afetadas, como comerciantes tradicionais... que provavelmente deverão deixar seus locais de trabalho por pressões do setor imobiliário, e também vários dos estudiosos da questão urbana”.
Criado para diminuir a exclusão social e aproximar os moradores de seus bairros com as políticas públicas, o Plano Diretor surgiu como um salvador da pátria, algo que poderia revolucionar o modo de pensar e gerir centros, fossem eles bairros ou até mesmo cidades.
Baseado neste ideal, o Plano Diretor faria com que a população escolhesse o que seria importante em seu bairro, o que mais carecia na região e quais seriam os modos de amenizar e aprimorar os itens já contidos naquele espaço.
Foi com base em uma espécie de Plano Diretor que começou a se pensar um novo bairro da Luz, em São Paulo, onde drogados, viciados e indigentes seriam retirados, os locais ociosos seria ocupados e a área degradada e sem vida seria novamente habitada, até voltar a gozar de glamour e vigor.
Mas parece que o plano da Nova Luz não será tão bem sucedido. Com a inoperância do estado, aliada à falta de recursos e de investimentos, os órgãos municipais foram obrigados a pensar em outro meio de ajudar a região, e o novo modelo de gestão escolhido foi a “terceirização da área degradada” (Nader, Valéria, pag.3)
Esta terceirização é um retrocesso em relação ao Plano Diretor. Ao invés de trazer a população para a discussão, ela passa todo o poder para empresas. “Como conseqüência inelutável, e tão ansiada execução do novo plano habitacional tenderá novamente a concentrar a população mais pobre nas periferias, longe das áreas centrais e de sua infra-estrutura urbana, onerando o orçamento público e gerando novos problemas de urbanização” (Nader, Valéria, pag. 1). Sendo assim, as modificações do local “comprado” não seriam mais os de interesses públicos, e sim, os de interesses empresariais e privados. Nenhuma empresa investe se não houver retorno, e neste caso, ao se apropriar de uma área comum da cidade, as ações iriam totalmente contra interesses populacionais.
Esta compra de espaços públicos nunca irá aproximar os excluídos dos centros urbanos. Cada vez eles serão jogados mais para as periferias, e mesmo que quisessem voltar, não poderiam, já que não arcariam com os altos custos de vida nos bairros comprados pelos grandes empresários.
Esta lógica, a de vender bairros para a iniciativa privada, parece ser vantajosa em um primeiro momento, mas será que é realmente boa para o estado? Quando jogamos os miseráveis para longe, o investimento em outros setores serão muito maiores. O transporte público por exemplo. Em uma região central já existem metrôs e trens. E na periferia? Não. Neste caso teria que construí-los, mas como o custo é alto optariam pelos ônibus. O ônibus aumenta o trânsito, logo os custos, causa maior poluição, logo problemas respiratórios, e obrigaria um investimento em outros campos. A exclusão também acarreta em outros gastos gerados pela criminalidade, saúde e infra-estrutura. Analisando friamente a exclusão, será que vender localidades centrais é melhor que reabitá-los? Não seria o caso de parar de segregar grande parte da população e diminuir os altíssimos gastos?
Certamente a terceirização não ajudará em nada o desenvolvimento dos centros degradados nas grandes cidades. Enquanto não houver uma política pública integrada, que consiga ouvir os anseios da sociedade, continuaremos a viver em uma país marcado pela disparidade econômica, racial e social.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A metereologia e o acidente da Air France

Esta é uma das hipóteses, dita por vários especialistas e pilotos! Quero deixar bem claro que eu não sou técnico, sou apenas um aluno de geografia que me interessei pelo campo da climatologia! Então não quer dizer que o que eu escreva seja verdade! São apenas alguns dados rápidos sobre o incidente.

ZCTI - Disseram que a Zona de Convergência Intertropical (ZCTI) poderia ter derrubado o Airbus da Air France. Analisando as imagens postadas no post passado, observamos uma área no nordeste brasileiro com um "retângulo". O avião passa por ali. No caso da carta da marina, o "retângulo" informa que alí fica a zona de convergência, ou melhor, onde os ventos e nuvens formadas no enquador "caem" para o hemisfério sul! Esta zona é formada por nuvens Cb - Cumulus nimbus, que são nuvens carregadas, geralmente com raios, chuvas e granizos e que podem atingir 18KM de altura.
O avião estava a 35000 ft aproximadamente, o que da 10Km de altura! Neste caso, certamente ele atravessou uma área tensa, com chuvas e raios!


Porém, mesmo atravessando estas áreas, é quase impossível que um raio derrube um avião! Neste caso, vamos epsrar as novas informações, ou melhor, desinformações!

Até!

A imprensa e a falta do que falar



Finalmente um novo evento midiático! E novamente mais um acidente aéreo! Que sorte tem a Record e a Band! Tvs que vivem da miséria e da pobreza!

Eu já cobri os acidentes da GOL, TAM e Learjet. Não sou experiente por isso, mas já percebi o que é importante nestes acidentes. Achar quem é o culpado e esclarecer o porque do ocorrido?Claro que não! isso é a ultima coisa a se pensar! Primeiro vem o que interessa, entrevistar famílias e fazer todos chorarem. O problema é que agora a empresa não é a TAM e não caiu em SP! Logo, fudeu a imprensa! A maioria dos passageiros são franceses. Neste caso não terá heróis ou vilões, simplesmente terá um acontecimento, um fato!

Neste novo acidade, da Air France, já são várias as suposições e nada de concreto. Como sempre. Pela manhã muito se disse sobre a ZCTI, Zona de COnvergência Intertropical. Mas o que seria isso? Será que é simples para todos entenderem fatos metereológicos sem mapas e satélites?

Vou postar aqui a imagem de satélite das 23:15, ou 02:15 GMT! Também colocarei a Carta de Pressão da Marinha do Brasil da 00 horas.

Depois delas direi um pouco do que sei! Ou acho que sei

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O problema de ver aqui no blog

Como aqui corta a borda do vídeo, não é possível selecionar o sistema HD. Sem ele o video fica meio azul, então, caso queiram uma melhor vizualização, tente abrir pelo próprio YouTube!

Valeu