
Uma rápida pincelada sobre o tema. Baseado no texto Com novas medidas urbanas, mercado imobiliário reinará absoluto nas cidades, de Valéria Nader.
O assunto não é novo. Ainda mais em uma cidade grande e endinheirada como São Paulo. Desde o começo do século pessoas consideradas desqualificadas são jogadas às margens da sociedade.
Acostumados a serem mandados para conjuntos habitacionais mais longe dos centros, as pessoas sem renda sempre foram proibidas de viver no espaço “habitável” de uma metrópole. Seja por não conseguirem pagar o valor dos impostos dos terrenos ou por serem expulsos de suas casas através da especulação imobiliária, como cita Valéria Nader em seu artigo Com novas medidas urbanas, mercado imobiliário reinará absoluto nas cidades: “mais uma vez, algumas das populações afetadas, como comerciantes tradicionais... que provavelmente deverão deixar seus locais de trabalho por pressões do setor imobiliário, e também vários dos estudiosos da questão urbana”.
Criado para diminuir a exclusão social e aproximar os moradores de seus bairros com as políticas públicas, o Plano Diretor surgiu como um salvador da pátria, algo que poderia revolucionar o modo de pensar e gerir centros, fossem eles bairros ou até mesmo cidades.
Baseado neste ideal, o Plano Diretor faria com que a população escolhesse o que seria importante em seu bairro, o que mais carecia na região e quais seriam os modos de amenizar e aprimorar os itens já contidos naquele espaço.
Foi com base em uma espécie de Plano Diretor que começou a se pensar um novo bairro da Luz, em São Paulo, onde drogados, viciados e indigentes seriam retirados, os locais ociosos seria ocupados e a área degradada e sem vida seria novamente habitada, até voltar a gozar de glamour e vigor.
Mas parece que o plano da Nova Luz não será tão bem sucedido. Com a inoperância do estado, aliada à falta de recursos e de investimentos, os órgãos municipais foram obrigados a pensar em outro meio de ajudar a região, e o novo modelo de gestão escolhido foi a “terceirização da área degradada” (Nader, Valéria, pag.3)
Esta terceirização é um retrocesso em relação ao Plano Diretor. Ao invés de trazer a população para a discussão, ela passa todo o poder para empresas. “Como conseqüência inelutável, e tão ansiada execução do novo plano habitacional tenderá novamente a concentrar a população mais pobre nas periferias, longe das áreas centrais e de sua infra-estrutura urbana, onerando o orçamento público e gerando novos problemas de urbanização” (Nader, Valéria, pag. 1). Sendo assim, as modificações do local “comprado” não seriam mais os de interesses públicos, e sim, os de interesses empresariais e privados. Nenhuma empresa investe se não houver retorno, e neste caso, ao se apropriar de uma área comum da cidade, as ações iriam totalmente contra interesses populacionais.
Esta compra de espaços públicos nunca irá aproximar os excluídos dos centros urbanos. Cada vez eles serão jogados mais para as periferias, e mesmo que quisessem voltar, não poderiam, já que não arcariam com os altos custos de vida nos bairros comprados pelos grandes empresários.
Esta lógica, a de vender bairros para a iniciativa privada, parece ser vantajosa em um primeiro momento, mas será que é realmente boa para o estado? Quando jogamos os miseráveis para longe, o investimento em outros setores serão muito maiores. O transporte público por exemplo. Em uma região central já existem metrôs e trens. E na periferia? Não. Neste caso teria que construí-los, mas como o custo é alto optariam pelos ônibus. O ônibus aumenta o trânsito, logo os custos, causa maior poluição, logo problemas respiratórios, e obrigaria um investimento em outros campos. A exclusão também acarreta em outros gastos gerados pela criminalidade, saúde e infra-estrutura. Analisando friamente a exclusão, será que vender localidades centrais é melhor que reabitá-los? Não seria o caso de parar de segregar grande parte da população e diminuir os altíssimos gastos?
Certamente a terceirização não ajudará em nada o desenvolvimento dos centros degradados nas grandes cidades. Enquanto não houver uma política pública integrada, que consiga ouvir os anseios da sociedade, continuaremos a viver em uma país marcado pela disparidade econômica, racial e social.
Acostumados a serem mandados para conjuntos habitacionais mais longe dos centros, as pessoas sem renda sempre foram proibidas de viver no espaço “habitável” de uma metrópole. Seja por não conseguirem pagar o valor dos impostos dos terrenos ou por serem expulsos de suas casas através da especulação imobiliária, como cita Valéria Nader em seu artigo Com novas medidas urbanas, mercado imobiliário reinará absoluto nas cidades: “mais uma vez, algumas das populações afetadas, como comerciantes tradicionais... que provavelmente deverão deixar seus locais de trabalho por pressões do setor imobiliário, e também vários dos estudiosos da questão urbana”.
Criado para diminuir a exclusão social e aproximar os moradores de seus bairros com as políticas públicas, o Plano Diretor surgiu como um salvador da pátria, algo que poderia revolucionar o modo de pensar e gerir centros, fossem eles bairros ou até mesmo cidades.
Baseado neste ideal, o Plano Diretor faria com que a população escolhesse o que seria importante em seu bairro, o que mais carecia na região e quais seriam os modos de amenizar e aprimorar os itens já contidos naquele espaço.
Foi com base em uma espécie de Plano Diretor que começou a se pensar um novo bairro da Luz, em São Paulo, onde drogados, viciados e indigentes seriam retirados, os locais ociosos seria ocupados e a área degradada e sem vida seria novamente habitada, até voltar a gozar de glamour e vigor.
Mas parece que o plano da Nova Luz não será tão bem sucedido. Com a inoperância do estado, aliada à falta de recursos e de investimentos, os órgãos municipais foram obrigados a pensar em outro meio de ajudar a região, e o novo modelo de gestão escolhido foi a “terceirização da área degradada” (Nader, Valéria, pag.3)
Esta terceirização é um retrocesso em relação ao Plano Diretor. Ao invés de trazer a população para a discussão, ela passa todo o poder para empresas. “Como conseqüência inelutável, e tão ansiada execução do novo plano habitacional tenderá novamente a concentrar a população mais pobre nas periferias, longe das áreas centrais e de sua infra-estrutura urbana, onerando o orçamento público e gerando novos problemas de urbanização” (Nader, Valéria, pag. 1). Sendo assim, as modificações do local “comprado” não seriam mais os de interesses públicos, e sim, os de interesses empresariais e privados. Nenhuma empresa investe se não houver retorno, e neste caso, ao se apropriar de uma área comum da cidade, as ações iriam totalmente contra interesses populacionais.
Esta compra de espaços públicos nunca irá aproximar os excluídos dos centros urbanos. Cada vez eles serão jogados mais para as periferias, e mesmo que quisessem voltar, não poderiam, já que não arcariam com os altos custos de vida nos bairros comprados pelos grandes empresários.
Esta lógica, a de vender bairros para a iniciativa privada, parece ser vantajosa em um primeiro momento, mas será que é realmente boa para o estado? Quando jogamos os miseráveis para longe, o investimento em outros setores serão muito maiores. O transporte público por exemplo. Em uma região central já existem metrôs e trens. E na periferia? Não. Neste caso teria que construí-los, mas como o custo é alto optariam pelos ônibus. O ônibus aumenta o trânsito, logo os custos, causa maior poluição, logo problemas respiratórios, e obrigaria um investimento em outros campos. A exclusão também acarreta em outros gastos gerados pela criminalidade, saúde e infra-estrutura. Analisando friamente a exclusão, será que vender localidades centrais é melhor que reabitá-los? Não seria o caso de parar de segregar grande parte da população e diminuir os altíssimos gastos?
Certamente a terceirização não ajudará em nada o desenvolvimento dos centros degradados nas grandes cidades. Enquanto não houver uma política pública integrada, que consiga ouvir os anseios da sociedade, continuaremos a viver em uma país marcado pela disparidade econômica, racial e social.

3 comentários:
(caraca! texto inspiradasso! Vamos mandar pra alguém?)
Até acho que funcionaria se quando o governo passasse o bastão da gestão dos "principais" bairros para a iniciativa privada, usasse a verba que "sobrou" efetivamente para as melhorias dos bairros periféricos ao invés de "se encostar" ou desviar essa grana para qquer coisa fútil que eles adoram inventar...
(estou sendo redundante?)
Vamos mandar esse texto pra alguém?
assistiu "Leões e Cordeiros"?
Mandar para quem?? rs
Se tiver uma idéia boa pode mandar!
rs
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