terça-feira, 7 de julho de 2009

Prazer, transeunte...


Andar. Aprendemos tal arte com poucos meses de vida. Com o passar do tempo, em nossa caótica cidade, vamos esquecendo como se faz e o que realmente significa. A ação repetida milhares de vezes por milhões de transeuntes (entenda transeunte por seu significado mais usual) vem se tornando cada vez mais difícil, não só pelas distâncias a serem percorridas, mas pelos outros que não fazem questão de valorizá-la.
Andar por míseros quilômetros em uma das regiões mais ricas de São Paulo é uma tarefa para heróis, fenômenos. A dura missão possui diversos agravantes, que vão desde motoristas em carros possantes, Vidas Lokas em motos, calçadas, ou melhor, a falta destas criaturas insignificantes, e o que mais preocupa o mundo das grandes vias, as pessoas.
Não é fácil ser rico, ter seu Audi e trabalhar em grandes salas em monstruosos empreendimentos. A falta de tempo e o bendito stress não os deixam pensar no mundo para fora de seus vidros. Aliás, para fora de seus vidros só se encontram concorrentes. Animais que querem roubar seu lugar perto da faixa. A convivência com outros seres no infernal tráfego diário o deixa mais puto ainda.
No meio da guerra entre o ser condutor e seu veículo, estão bípedes que ainda recordam, e por mais incrível que possa parecer, ainda se utilizam do andar. Pobres seres.
A capital paulista não é capaz de fazer um parque com um banco. E se algum local para se sentar é construído, não há caminho para que se chegue até ele. Só a grama o leva até seu almejado destino. As calçadas dos grandes prédios são esburacadas, apesar de seus vidros serem limpos todos os dias.
Saindo dos restos de concreto que recebem o nome de calçada, as ruas não possuem sinalização adequada para pedestres. Aliado a isso está a péssima vontade de cooperação. Motos fazem questão de acelerar ao ver uma senhora atravessando num farol verde. Claro que a senhorinha não deveria se arriscar numa rua central da maior cidade brasileira, mas será que a reação teria que ser esta? Não haveria um modo de ser mais humano, ou pelo menos tentar aceitar o fato de que a senhora sai de casa e não sabe se conseguirá chegar ilesa de umas compras?
Os nossos atos estão totalmente atrelados à educação. E pelo que se vê, a bendita está cada vez mais esquecida. Para os andantes, o fim está próximo. Tirem fotos, gravem vídeos para os filhos e netos. A partir de hoje seremos transeuntes* de uma cidade movida à gasolina.

* Que passa; que não permanece; PASSAGEIRO; TRANSITÓRIO.

2 comentários:

Érica Martinez disse...

óiaaa!

1) ainda bem que a padaria em que minha vó vai fica na mesma calçcada do meu prédio.
2) "Vidas Lokas" = perfeito!
3) "A falta de tempo e o bendito stress não os deixam pensar no mundo para fora de seus vidros" -> queria pdoer entrar mais tarde para aproveitar mais o dia... a gente mal V~e a luz do sol durante a semana né? Mas sabe de uma coisa, se eu me puser a andar no caminho da minha casa até aqui, morro asfixiada pelo gás carbônico... Seu nariz não coça?

Petroni disse...

Longe disso! 25 anos cheirando CO2...

Percepção 0!