Por Sérgio Rizzo
Em sua mais recente crônica no site Sintonia Fina, “O fim da música”, o jornalista, crítico e produtor musical Nelson Motta propõe tema polêmico para debate.
“Assim como Fukuyama proclamou o ‘fim da história’, pode-se dizer que estamos vivendo o ‘fim da música’”, diz ele, referindo-se às ideias sobre o suposto triunfo do liberalismo político e econômico apresentadas pelo ensaísta norte-americano Francis Fukuyama no livro “O Fim da História” (1992).
“(Fim da música) Não no sentido apocalíptico ou de extinção, mas de saturação”, explica Motta. “Já temos música demais, há muito tempo, antes mesmo de todas estarem disponíveis na internet. Imagine que, no tempo em que você lê esta crônica, milhares de músicas, de todos os gêneros, estão sendo feitas no mundo inteiro e disponibilizadas na rede. Com certeza, apenas uma parte infinitesimal terá, por qualquer critério, alguma qualidade. O resto será puro lixo, apenas poluição sonora.”
De acordo com Motta, programas de computador permitem hoje que “qualquer um” faça música, “sem saber música e sem tocar qualquer instrumento”. “Depois do rap - a forma mais livre de música, porque não exige saber cantar nem tocar, bastam um beat e versos ritmados - nunca foi tão fácil fazer música. Ou pior, lixo musical, porque para fazer música boa, e bom rap, é preciso talento, que raros têm. Depois do rap, o que ainda se pode fazer de menos, em termos musicais?”
E desafia: “Quem pode produzir hoje uma ópera ou um musical da Broadway, não melhor, mas pelo menos no nível dos melhores? Como ousar canções de amor sofisticadas depois de tudo que Cole Porter e Tom Jobim fizeram? Como reinventar o rock, a MPB, a bossa nova, o soul, o folk, o flamenco?”
Talvez por esse motivo, na avaliação de Motta, a produção musical moderna mais interessante seja “a derivada da eletrônica e do hip hop, das fusões de ritmos e timbres, principalmente porque nada, melhor ou pior, já foi feito antes”.
Como este é um blog de cinema, e não de música, perguntas: seria possível trocar a palavra “música” por “cinema” na crônica de Motta e sustentar raciocínio semelhante, concluindo que exista também no campo do audiovisual uma “saturação”, com “imagens demais, há muito tempo”? E a “produção cinematográfica mais interessante” seria também alguma espécie de fusão que não guarde paralelo com nada, “melhor ou pior”, que tenha sido realizado antes?
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Um comentário:
muito comprido. leio depois. bejomeliga!
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