quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

...depois da leve introdução...

Voz leve, som distante, Sweet Exorcist de 74 é uma belo albúm. Mayfild põe um sentimento não usual aos dias de hoje. Parece que chora com sua guitarra e voz. Dos anos 70 nos EUA para os dias de Hoje em São Paulo muita coisa mudou. Mas a luta de Mayfild ainda parece atual. São milhares de pessoas que lutam para te vender um carregador de celular ou uma bandeira. São pessoas que nada esperam da vida, mas que ainda conseguem lutar. Mas o que será delas daqui 30 anos? Fracos, sem dinheiro e sem fonte de renda. Fim trágico que teve o Funkeiro. Fim trágico que terão outros tantos Mayfilds pelo Brasil.
Sweet Exorcist não necessita compreensão de letras. Necessita apenas um olhar para fora da janela do carro. Janela esta que te deixa longe do mundo. Te deixa longe de uma rua e uma cidade na qual você esta inserida.
O carro é um mundo. É uma sociedade particular. Quantas pessoas educadas se esquecem de todas as regras e aprendizados básicos por uma ultrapassagem? Por aqueles 3 metros que te deixará mais perto de algum lugar?
Cada motorista necessita de seu exorcismo. Possuídos, eles não sabem quem são. Não são eles mesmos. Certamente não são assim em casa, no trabalho, na praia. Eles são uma tribo, uma religião, uma cidade dentro de seus automóveis. São animais em busca da liberdade. E a única coisa que diferencia os animais são suas habilidades e seus instintos. Instintos estes trazidos pela música e por pessoas como Curtis Mayfield.

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